“Terapia para depressão” passa. “A depressão está te derrubando?” reprova. Mesmo assunto, resultados opostos — e três testes que resolvem antes da revisão.
Pergunta ao leitor · a palavra “outro” · “você” + atributo · nome próprio conta · a landing entra na revisão
Anúncio reprovado por “atributos pessoais”. A reação natural é procurar qual assunto é proibido: não posso falar de saúde? não posso falar de dívida? não posso falar de idade?
A pergunta está errada, e é por isso que a correção costuma falhar duas, três vezes. Não existe assunto proibido nessa política. Existe CONSTRUÇÃO proibida.
O mesmo tema, com as mesmas palavras-chave, passa ou reprova dependendo de como a frase foi montada. Depois que você enxerga o mecanismo, dá pra conferir qualquer criativo em dez segundos — sem achismo e sem esperar a revisão.
Você pode NOMEAR o atributo. Você não pode DIRIGI-LO ao leitor.
A política diz que o anúncio não pode “afirmar ou insinuar” atributos pessoais de quem está vendo. Insinuar é a palavra que carrega tudo: não precisa afirmar que a pessoa tem uma condição — basta a frase só fazer sentido se ela tiver.
Repare que o lado aprovado descreve o PRODUTO. O lado reprovado descreve o LEITOR. É literalmente a orientação da política: o anúncio deve focar no benefício do que está sendo anunciado, não em quem está do outro lado da tela.
É a armadilha mais comum, porque pergunta é o recurso mais natural de copy. “Você é MEI?”, “Sua empresa está endividada?”, “Tem mais de 50 anos?” — todas qualificam o público, e todas insinuam que o anunciante sabe algo sobre quem está lendo.
Regra: se a frase é uma pergunta e a resposta revela um atributo da pessoa, reescreva como descrição da oferta. A segmentação continua fazendo o trabalho de achar o público — o criativo não precisa fazer a triagem em voz alta.
Essa é a mais sutil das três, e a que mais surpreende quem já conhece a política. Duas frases idênticas em assunto, separadas por uma única palavra, caem em lados opostos.
O motivo é gramatical puro: “outros X” só faz sentido se o interlocutor for um X. A palavra carrega a afirmação sobre o leitor sem que ninguém tenha escrito a afirmação. É exatamente o tipo de insinuação que a política proíbe.
Regra: procure “outro”, “outros”, “também”, “como você” e “igual a você” antes de um grupo. São todos a mesma armadilha em roupas diferentes.
Aqui mora o maior mal-entendido do mercado: muita gente acredita que o Meta proíbe falar “você”. Não proíbe. A política é explícita ao permitir linguagem em segunda pessoa — o que ela veta é “você” grudado num atributo.
Vale notar o caso da pele: “Nossos cremes combatem rugas como nunca antes” passa, e “Pronto para deixar sua pele mais jovem?” reprova. O produto é o mesmo. O que mudou foi quem é o sujeito da frase.
Regra: mantenha o “você”, que converte. Só não deixe ele encostar em idade, saúde, dinheiro, crença, origem ou condição. Troque o sujeito da frase para o produto e a frase sobrevive.
Os atributos cobertos: raça, etnia, religião, crenças, idade, orientação ou prática sexual, identidade de gênero, deficiência, saúde física ou mental, situação financeira vulnerável, situação eleitoral, filiação sindical e ficha criminal. Até aí, previsível.
A do nome surpreende porque personalização é vendida como boa prática em quase todo canal. No criativo do Meta, não é: insinuar que o anunciante conhece o nome de quem vê o anúncio entra na mesma família de violação que insinuar uma doença.
A política também proíbe insinuar conhecimento sobre a FAMÍLIA da pessoa — financeiro ou médico. “Trate seu cônjuge hoje” é citado como exemplo reprovado.
Duas linhas da política passam despercebidas e valem mais que qualquer ajuste de copy, porque mudam o tamanho do estrago quando algo dá errado.
O Meta diz explicitamente que monitora comportamento do anunciante, não só peças isoladas. Para quem opera várias contas com o mesmo perfil pessoal, isso é risco sistêmico: reprovação repetida num cliente é problema para todos os outros.
Tem ainda uma terceira linha, mais silenciosa: anúncio de baixa qualidade que não chega a violar política nenhuma pode ter a entrega prejudicada. Ele não é rejeitado, não gera aviso, só performa mal — e você passa semanas culpando a criação.
Regra: trate a landing como parte da peça e a estrutura de contas como parte do risco. Parceria entre Business Managers existe exatamente pra isso — a relação vira empresa com empresa, em vez de uma pessoa física dentro de dezenas de contas.
É uma pergunta cuja resposta revela um atributo do leitor? Vire descrição da oferta.
Tem “outro”, “também”, “como você” antes de um grupo? Apague a palavra — a frase quase sempre sobrevive.
Tem “você/seu” encostado em idade, saúde, dinheiro, crença, origem ou condição? Troque o sujeito para o produto.
Nome próprio e situação financeira contam como atributo. Personalizar criativo pelo nome é violação, mesmo sendo boa prática em outros canais.
A landing entra na revisão e a punição alcança a Business Account inteira — conta de anúncio, Página e conta de usuário.
Descreva o produto, nunca o leitor. Quase toda reprovação por atributos pessoais é uma frase que trocou o sujeito de lugar — e quase toda correção é trocar de volta.